Próteses e Reabilitação
Fala-se muito sobre colocar a prótese. Quase nada sobre viver com ela nas semanas seguintes. E é justamente essa fase — a da boca estranha, da fala embolada, do ponto que arde na gengiva — que faz muita gente desistir e deixar a prótese na gaveta.
Antes de qualquer coisa, é preciso dizer com todas as letras: perder dentes é uma perda de verdade. Mexe com a alimentação, com a fala, com o modo de rir na frente dos outros. Quem chega ao consultório para colocar uma prótese está lidando com isso, e merece explicação de adulto para adulto. É o que este artigo tenta fazer.
Este texto trata da prótese removível — aquela que você retira para higienizar. Ela não é a mesma coisa que o protocolo tipo All-on-4, que é uma prótese fixa parafusada sobre implantes e só o dentista remove. As orientações de adaptação e limpeza são diferentes para cada uma.
Uma prótese nova é um corpo estranho para a boca, e o corpo reage. Nos primeiros dias, é comum sentir:
O que não é normal em nenhuma fase: dor forte, ferida que sangra ou não cicatriza, prótese que solta ao falar, gengiva vermelha e inchada de forma persistente, ou dor de cabeça e na articulação depois de instalar. Nada disso melhora "com o tempo" — melhora com ajuste.
"Desconforto de adaptação passa com o uso. Dor não passa com paciência — passa com ajuste. Saber diferenciar as duas coisas é o que decide se a prótese vai ser usada ou esquecida."
— Dr. José Ricardo Noronha Rodrigues, CRO-RJ 22193A prótese apoia-se numa mucosa fina sobre osso. Quando um ponto da base fica um décimo de milímetro além do lugar, toda a força da mastigação se concentra ali — e nasce a ferida. O ajuste desse ponto é um procedimento de minutos no consultório, feito com o local exato marcado.
É por isso que lixar, cortar, raspar ou amolecer a prótese em água quente é algo que nunca se deve fazer em casa. Ao remover material sem saber onde, a distribuição da força muda inteira: a prótese passa a machucar em lugares novos, perde estabilidade e, em muitos casos, não tem mais conserto. O mesmo vale para colas e reparos improvisados.
Enquanto a consulta não chega, o que ajuda:
A língua leva alguns dias para reaprender o caminho. Ler em voz alta por dez ou quinze minutos por dia, sozinho, em casa, acelera muito essa adaptação — é treino, e funciona. Vale insistir nas palavras com S e com R, que são as que mais denunciam a prótese nova.
Na mastigação, a regra é começar devagar e progredir:
Prótese acumula placa igual a dente natural — e o acrílico é mais poroso, então mancha com mais facilidade. A rotina que funciona:
E a parte que mais gente erra — o que não usar: creme dental comum (é abrasivo e risca o acrílico, e risco acumula mancha), bicarbonato puro, água sanitária, álcool, produtos de limpeza doméstica e água quente, que deforma a base. Sobre "clarear" a prótese: acrílico e dentes artificiais não respondem a clareamento dental, nem de consultório nem caseiro. O que existe é remoção profissional de manchas e tártaro no consultório e, quando o material já está muito desgastado, a troca ou o polimento feito por profissional. Qualquer receita caseira de clarear prótese risca a superfície e piora o encardido a médio prazo.
Na maioria dos casos, a orientação é retirar para dormir. A gengiva precisa de horas sem pressão para se recuperar, e a saliva precisa banhar a mucosa — dormir com prótese aumenta o risco de inflamação da mucosa e de candidíase (aquela vermelhidão no céu da boca).
Guarde-a limpa, em recipiente próprio, com água ou com a solução que o dentista indicar. Nunca enrolada em papel ou guardanapo: é assim que a maioria das próteses vai parar no lixo por engano. Existem exceções — as primeiras noites com uma prótese imediata, por exemplo, em que ela funciona como curativo — e quem decide isso é o profissional que acompanha o seu caso.
Sua prótese está machucando, soltando ou incomodando para falar? Ajuste é consulta rápida — e não é incômodo nenhum para a gente.
Falar com a clínica no WhatsApp →Existe uma situação diferente de tudo o que foi dito até aqui: a prótese que funcionou bem por anos e começou a soltar, a machucar ou a "sobrar" na boca. Aqui, geralmente, a prótese não mudou — a boca mudou.
Depois da perda dos dentes, o osso do rebordo se reabsorve lentamente, ano após ano. A base que era justa passa a ficar folgada, a prótese começa a balançar e a machucar em pontos novos. A solução para isso não é apertar mais, nem usar adesivo todo dia — é o reembasamento: um procedimento em que se acrescenta material à base para que ela volte a copiar o formato atual da sua gengiva.
Sinais de que é hora de avaliar reembasamento ou troca:
Quando a reabsorção óssea já é grande e a estabilidade não volta nem com reembasamento, entra na conversa a possibilidade de apoiar a prótese em implantes. Se essa hipótese te interessa, vale entender antes o funcionamento do implante dentário e, depois, comparar caminhos e faixas de investimento no artigo sobre quanto custa uma prótese dentária.
Volte quando houver ferida, dor, prótese solta, dificuldade persistente para falar ou mau cheiro que não sai com a higiene. E volte também quando estiver tudo bem: a revisão periódica examina a mucosa, verifica o assentamento e faz a limpeza profissional que nenhum produto caseiro substitui.
Na Policlínica Dentária de Cabo Frio, acompanhamos há 30 anos — desde 1998, com os mesmos titulares — pacientes de Cabo Frio, Búzios, São Pedro da Aldeia e de toda a Região dos Lagos, na Rua Raul Veiga 409, loja 05, no Centro de Cabo Frio. Ajuste de prótese não é reclamação: é parte do tratamento, e é para isso que a gente está aqui.